Edith Modesto: “Ninguém foi preparado para ter filhos gays”

Edith Modesto realiza ótimo trabalho junto a pais de homossexuais. Segue entrevista com ela:

William De Lucca

Alguns pais não conseguem aceitar a homossexualidade dos filhos, e outros chegam ao extremo da violência física, psicológica e até expulsam os filhos de casa. A reação da professora universitária e doutora em semiótica Edith Modesto foi diferente. Mãe de sete filhos ela fundou, em 1997, o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), cujo objetivo principal é aproximar os pais de seus filhos gays, após descobrir que seu filho mais novo era gay. Com a intenção de compreender melhor a sexualidade do próprio filho, Edith conseguiu ir além: ajudou e ajuda centenas de pais de homossexuais a aprender a lidar com este tema ainda tão delicado. Em entrevista exclusiva ao Eleições Hoje, Edith fala sobre homofobia, relacionamento entre pais e filhos, e diz que homossexuais precisam ser mais politizados e votar em gays e lésbicas.

Como começou o teu projeto junto aos pais dos homossexuais?

Edith Modesto – O projeto…

Ver o post original 1.084 mais palavras

A liberdade em Jean-Paul Sartre: responsabilidade, angústia e má-fé

“O homem percebe o seu total desamparo, já que não há nada que possa salvá-lo da tarefa de escolher; em suma, nada pode salvá-lo de si mesmo”.

foto_post_def Célebre retrato de Sartre caminhando nas dunas de Nida, na Lituânia, em 1965. Na imagem, vemos o filósofo projetando a sua sombra nas areias, representando a ideia existencialista de que é o homem, através da projeção da sua vontade no mundo, que constrói a si mesmo e o seu próprio caminho. Foto: Antanas Sutkus

Um dos conceitos fundamentais da filosofia existencialista sartriana é o de liberdade, uma vez que, para o filósofo, o homem está condenado a ser livre e toda a sua existência decorre desta condição. Assim, frente a uma decisão, o homem percebe o seu total desamparo, já que não há nada que possa salvá-lo da tarefa de escolher; em suma, nada pode salvá-lo de si mesmo – diria Sartre.

Desse modo, o ser humano, fundamentando-se na sua estrita liberdade, vê-se a todo instante compelido a se inventar, posto que são suas escolhas que constroem a sua…

Ver o post original 1.196 mais palavras

Cisgeneridade: a suposta natureza é um silêncio

“Para mim, reconhecer a cisgeneridade é um ato político. É compreender, em primeiro lugar, que eu ocupo um lugar específico no mundo, que tenho privilégios específicos por conta disso e que é a partir desse lugar discursivo que meu olhar se conforma. É, ainda, não aceitar como uma natureza a construção de minha identidade. E é, também, reconhecer minha liberdade para me determinar perante o mundo”.

Ensaio Aberto – Teofilo Tostes Daniel

Neste dia 29 de janeiro, quero me juntar a vozes quotidianamente caladas que pedem ouvidos que ouçam. Vozes de pessoas que passam invisíveis por nós, sem que tenhamos olhos de vê-las. Gostaria que este texto conseguisse propagar, por transdução, esse grito contido — levando adiante a força e a emissão dessas vozes sem alterá-las.

Hoje, celebra-se o Dia da Visibilidade Trans*, data que alude ao lançamento da primeira campanha contra a transfobia no país. Aproximei-me das pautas de pessoas trangêneras ao começar a pesquisar sobre o tema, por causa de um projeto literário. Mas conhecer as questões ligadas às chamadas identidades trans* é — que bom! — um caminho sem retorno. Em primeiro lugar, por ser impossível a indiferença ao conhecermos a urgência de suas pautas e a negação sistemática (ou, melhor dizendo, “cistemática”) de quase todos os aspectos ligados à sua cidadania. Em segundo lugar, por tornar-se impossível aceitar como…

Ver o post original 1.327 mais palavras

As Travestis e Transexuais que servem de Palhaças Televisivas sendo motivos Piadas e Trollagem em Programas de TV.

Trans Connection

A discriminação dos “diferentes” é um elemento presente no discurso social. Os “diferentes” podem ser os loucos, bruxas, negros, dependendo do momento/contexto histórico cultural. Da mesma forma, travestis por serem “diferentes” da maioria sofrem preconceitos, humilhação e violência nas ruas e até mesmo em casa, por representarem algo que nem todas as culturas conseguem integrar em seu léxico cultural “O preconceito, usualmente incorporado e acreditado, é a mola central e o reprodutor mais eficaz da discriminação e de exclusão, portanto da violência”. (BANDEIRA e BATISTA, 2002, p. 08).

Travestis são as pessoas que  mais sofrem porque o mundo não está preparado para compreendê-las, sendo um grupo das pessoas que são mais marginalizadas, não apenas na sociedade, pela família, também nos estudos sobre a sexualidade, tendo uma identidade sexual, que tem dois aspectos – um é a orientação sexual, a parte da identidade que faz com que o ser humano busque…

Ver o post original 2.202 mais palavras

O Banheiro e a Ideologia

“Percebam a ausência explícita a qualquer palavra que remeta diretamente à transgeneridade e, mesmo assim, os sentidos acerca da transfobia apareceram de forma preponderante. Onde estão esses “implícitos” que são fundamentais para que os enunciados signifiquem o que eles de fato significam? Afinal, quem são os machos e de quem seriam os “nossos” ou os “seus” espaços? De que espaço feminino estamos falando? Será que estamos falando só sobre banheiro ou de todo e qualquer espaço significado enquanto feminino?”.

Transfeminismo

banheiros

Vimos a repercussão em diversos sites sobre as pichações nos banheiros femininos da Unicamp, como no site acapa e no portal Fórum. Enunciados como “NÃO DEIXE QUE OS MACHOS OCUPEM OS NOSSOS ESPAÇOS” (que é também parafraseado por “NÃO DEIXE QUE OS MACHOS INVADAM OS SEUS ESPAÇOS”) podem ser vistos grafados nas cabines dos banheiros. Pretendo neste texto compreender como estes enunciados conseguem produzir sentidos em especial me atentado para as relações que envolvam as categorias de presença e ausência, visível e invisível, realizado e não-realizado, etc.

A forma como os significados destas pichações circularam nas redes sociais pareciam extremamente transparentes: era “óbvio” que se tratava de um ataque transfóbico. Mas para compreender como estes sentidos se tornaram tão necessários, é preciso se “fazer de bobo ou desentendido” por um instante. Com isso estaremos dizendo que, antes de um sentido necessário para estes enunciados, eles são extremamente opacos. Percebam…

Ver o post original 2.011 mais palavras

Coração e devir de travesti e o Estado

“Esta política pública desvela, ou seja, indica uma situação tamanha de exclusão a qual travestis estão submetidas (em relação a acesso a empregos, trabalho, educação, saúde, etc) justificando a necessidade dela; neste sentido, a própria existência da necessidade de uma política pública que vise oferecer esse tipo de “benefício” (tão básico!) é prova cabal de que não somente travestis são extremamente oprimidas, mas o próprio Estado tem sido negligente”.

O PERIGO DO FUNDAMENTALISMO

Precisamos estar atentos a essa linha tênue que divide a livre expressão religiosa do fanatismo religioso.

Roberto Andersen's Blog

Um parque temático criacionista, com arca de Noé e tudo, não deixa de ser bastante interessante para que as crianças e os adolescentes tomem conhecimento dos conceitos religiosos sobre a vida humana e as origens de nosso universo.

Mas há que se ter muita atenção para o SINAL AMARELO e que pode se tornar SINAL VERMELHO, a qualquer momento, relacionado ao perigo iminente de, mais uma vez, o mundo estar diante de um fanatismo criminoso, gerado pelas exageradas formas de pensar dos fundamentalistas cristãos!

Interrompo aqui para deixar bem claro (e todos os meus amigos e alunos sabem disso) que tenho minhas convicções religiosas e, portanto, não sou contra a religiosidade individual, mas sim, contra qualquer forma de fanatismo, principalmente o fanatismo proveniente do fundamentalismo ortodoxo de alguma religiões.

Vamos ficar atentos ao que está ocorrendo e fazer um paralelo com o que pode vir a ocorrer se ficarmos aceitando…

Ver o post original 669 mais palavras