Redenção

Muitas pessoas me perguntam os motivos que levam a me incomodar com algumas coisas que, aparentemente, não me atingem diretamente.

Quando me questionam isso, sempre lembro do início da minha adolescência, quando percebi que as minhas inclinações destoavam da maioria dos meninos da minha idade. Aquilo me fez sentir horrível. Sozinho. Estranho. Esquisito.

Hoje eu percebo que isto foi a minha grande redenção. As vezes tento me imaginar se todas essas dificuldades de adequação nunca tivessem acontecido. A conclusão que chego é que eu não me reconheceria. Não supervalorizando, mas me parece que esta característica esculpiu minha personalidade.

(In)felizmente eu sei o que é se sentir diferente, estranho e esquisito. Isto me faz tomar as dores que não são minhas, pois na verdade, são minhas sim. No dia da apresentação do meu trabalho de conclusão de curso, disse que a minha sexualidade tinha me levado a graduação no curso de psicologia e estava me possibilitando concluí-lo. E é isso. Me respeitar me ensina a respeitar os demais em sua pluralidade.

Passeando pelo facebook de uma amigo, me deparei com este texto. Texto este que me fez escrever “este” texto.

Abaixo resume como me sinto e acredito:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

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E viva a pluralidade!

Nesta minha “jornada” profissional, pessoal e principalmente política, graças ao exercício constante de cada vez mais assumir uma postura empática e de acolhimento ao outro, tenho tido a possibilidade de deslumbrar uma enorme variedade de manifestações e expressões da(s) sexualidade(s) humana.

As nuances que toda esta pluralidade assume, tem embriagado meus olhos e meus pensamentos. Quanta criatividade e possibilidades se apresentam em uma tentativa emocionante de sentir-se um pouco mais feliz. E quantas, quantas, quantas pessoas lutam diariamente para legitimar e garantir o seu espaço e visibilidade.

Algo do tipo : “Ei, eu existo! E por mais estranho possa parecer pra você o meu desejo e identidade, eu estou aqui e preciso ser respeitado”.

E nossa… O quanto tenho aprendido com todas estas manifestações. Primeiro que a intolerância não escolhe orientação sexual, etnia, identidade de gênero, classe econômica, o escambal. A violência e desrespeito ao outro está presente até naqueles que – teoricamente –  poderiam assumir uma postura mais acolhedora com o diferente por, justamente, saber o quanto dói ser discriminado.

E meu amigo…. Na tentativa de garantir o direito do outro ser quem é, eu brigo mesmo. Aí não tem “causa” ou “movimento”  nenhum que me silencie. O principal ou talvez o único movimento que eu siga é o o movimento da dignidade humana.

Meu muitíssimo obrigado a todas as pessoas que me possibilitam direta ou indiretamente aprender todos os dias o que é “ser humano”.