Aos Viciados em Tecnologia

Li este texto e me identifiquei de cara: sou um viciado em tecnologia assumido. E obviamente, é interessante ter acesso ao que pensam pessoas que também passam pelo mesmo “problema” que nós. Alexandre Bobeda  conseguiu organizar minhas inquietações sobre, a qual chama, “obsolência programada”. Eis o texto:

Quem precisa de upgrades?

Preciso confessar que eu sou louco por novidades tecnológicas e pelos últimos modelos de gadgets, tais como smartphones e tablets. Assim, já tive diversos celulares, de diversos fabricantes e modelos, Android e iOS. Quase sempre acabava ficando, no máximo, 1 ano com o aparelho, trocando-o por um modelo mais novo por motivos subjetivos e invariavelmente relacionados a reviews de sites de tecnologia ou ao marketing poderoso das companhias.

No entanto, a ficha demorou mas caiu. Aquela vontade infinita por novidades parece ter encontrado uma barreira com a razão (principalmente financeira) e, ao mesmo tempo, com a constatação que novos modelos de dispositivos e marcas já estabelecidas, como Apple ou Samsung, já não acrescentam muita coisa que justifique um investimento a cada um ou dois anos. Sem falar na preocupação com o consumismo desenfreado à toa e com o meio-ambiente, uma vez que descartar cada novo eletrônico sem uso de forma correta é uma tarefa bastante complicada nestas terras.

No caso de produtos como os televisores, por exemplo, é fácil notar a lógica dos fabricantes, que insistem que eles fiquem de fato obsoletos. Como aconteceu décadas atrás, muitas pessoas repudiaram seus bons e velhos televisores preto e branco em razão das novas e melhoradas versões a cores. Recentemente, saímos das TVs de tubo para as de tela plana — primeiro plasma e, depois, LCD e LED, cuja qualidade de som e imagem é bem superior. Assim é perfeitamente compreensível: nós queremos comprar um produto por causa de certas melhorias ou adições. Em ano de Copa, então, apelos como esse funcionam muito mais. Já em relação aos smartphones, talvez nunca tenha sido assim. São dispositivos que ficam obsoletos assim que você chega em casa, muitas vezes descobrindo que as características mais interessantes divulgadas nos anúncios não são aquela maravilha toda. E nós não estamos enganados, mas sim vivendo no mundo da obsolescência programada.

É mais uma daquelas “palavras-chave” da indústria de tecnologia que se aplica a qualquer produto pensado para as massas: celulares, tablets, notebooks, videogames etc. Tudo porque, no mundo de hoje, as empresas de eletrônicos são forçadas a lançar novos itens o mais rápido possível para ficar à frente da concorrência. Virou uma “praga”, uma espécie de mantra de sobrevivência que chega ao absurdo de ser “entoado” com poucos meses de diferença — você sabia que o iPad de terceira geração durou apenas 7 meses, entre março e outubro de 2012, antes de ser tirado de linha? Uma piada que não tem a menor graça para quem, como eu, comprou esse modelo e sabe que, em pouco tempo, o sistema operacional e outras atualizações não lhe servirão mais.

Tornar algo obsoleto devido à inovação é uma coisa. Projetar deliberadamente um novo produto, que traga pouca ou quase nenhuma diferença em relação ao modelo anterior é um grave abuso de confiança e respeito com o consumidor, já que novos lançamentos trazem, nas “entrelinhas”, a mensagem subliminar que aquele dispositivo lançado há pouco tempo e muito mal usado por você já não serve mais — troque pelo novo!

Muitas vezes eu não preciso do modelo mais novo, talvez nem precise nunca trocar. O que é preciso, sem dúvida, é segurar a onda, controlar a ansiedade, cuidar das finanças, se distrair mais e dar umas voltas pelo quarteirão até que aquela vontade louca de comprar mais um novo eletrônico passe.

Alexandre Bobeda.

Brasil Post

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